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Como o treinamento tático evoluiu nos últimos anos? Veja com Ernesto Kenji Igarashi

Diego VelázquezPor Diego Velázquezmaio 25, 2026Nenhum comentário5 Mins de leitura
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Ernesto Kenji Igarashi
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O treinamento tático para profissionais de segurança passou por uma transformação profunda nas últimas décadas, comenta Ernesto Kenji Igarashi, ex-coordenador da equipe tática da Polícia Federal. O que antes era dominado por metodologias de repetição mecânica, com foco quase exclusivo no desempenho físico e na habilidade técnica com armamento, deu lugar a abordagens que integram ciência cognitiva, simulação realista, dados de desempenho e treinamento psicológico estruturado. 

Para quem ainda treina da mesma forma que treinava há dez anos, este artigo contém uma pergunta importante: até quando essa abordagem vai ser suficiente? Saiba mais a seguir!

Quais foram as mudanças mais significativas nas metodologias de treinamento tático?

Conforme expõe Ernesto Kenji Igarashi, a mais significativa transformação metodológica no treinamento tático das últimas décadas foi a integração da ciência do desempenho humano sob estresse nas práticas de capacitação operacional. O entendimento de que o corpo humano em situação de ameaça real funciona de forma fundamentalmente diferente do corpo em situação de treinamento convencional, e que essa diferença compromete as habilidades adquiridas em condições de baixo estresse, forçou uma revisão completa dos protocolos de preparo. As técnicas que funcionam perfeitamente num estande de tiro sem pressão temporal podem deteriorar significativamente quando o operador está com frequência cardíaca elevada, em condição de visão em túnel e com o sistema nervoso ativado pela percepção de ameaça real. O treinamento moderno incorpora essa realidade fisiológica como variável central de design.

A adoção do modelo de força-on-força, no qual os treinandos operam em cenários realistas contra oponentes ativos em vez de alvos estáticos, representa outra mudança paradigmática. Esse modelo de treinamento desenvolve habilidades que o treinamento convencional simplesmente não consegue: a leitura de comportamento humano real em situação de confronto, a tomada de decisão sob pressão com informações incompletas, a gestão do ambiente quando há múltiplos agentes com comportamentos imprevisíveis e a integração de comunicação verbal e não verbal na resposta a incidentes. Simuladores táticos com munição não letal, como os sistemas de marcadores de tinta e as simulações com airsoft tático profissional, tornaram esse tipo de treinamento acessível a um espectro muito mais amplo de organizações de segurança.

Que tecnologias estão transformando a forma como profissionais de segurança são treinados?

Os simuladores de realidade virtual representam um salto qualitativo no treinamento de tomada de decisão para profissionais de segurança. Ernesto Kenji Igarashi ressalta que essas plataformas permitem que operadores sejam imersivos expostos a cenários altamente realistas de variadas categorias de risco, de tentativas de sequestro a invasões de instalações, com controle preciso das variáveis de estresse e com capacidade de repetição e variação dos cenários de uma forma que seria impossível ou inviável em treinamento com atores e locações reais. A tecnologia de VR aplicada ao treinamento tático avançou de forma expressiva, e os sistemas disponíveis atualmente permitem um nível de realismo e interatividade suficiente para produzir respostas fisiológicas e psicológicas similares às de situações reais, o que é condição necessária para que o treinamento seja efetivamente transferível para o campo.

Ernesto Kenji Igarashi
Ernesto Kenji Igarashi

Sistemas de rastreamento biométrico durante o treinamento, que monitoram frequência cardíaca, variabilidade cardíaca e outros marcadores de estado fisiológico em tempo real, permitem que instrutores compreendam em que momentos do treinamento o operador atinge os limiares de estresse que se aproximam das condições de operação real, e ajustem a intensidade e o design dos exercícios para maximizar a aprendizagem nessas condições de fronteira. Essa capacidade de operar deliberadamente nos limites do conforto cognitivo e emocional do treinando é o que diferencia programas de capacitação de elite dos programas convencionais.

O que organizações de segurança precisam incorporar para manter relevância e eficiência no treinamento?

O primeiro elemento que organizações de segurança que desejam manter padrão de excelência precisam incorporar é uma política de atualização contínua dos programas de treinamento, com revisões formais em intervalos definidos e mecanismos de incorporação rápida de novas metodologias e tecnologias validadas. Programas de treinamento que permanecem inalterados por anos tornam-se progressivamente menos relevantes à medida que o ambiente operacional e as ameaças evoluem. De acordo com Ernesto Kenji Igarashi, a rigidez curricular, que em alguns contextos pode ser confundida com solidez metodológica, é na prática uma vulnerabilidade organizacional.

A integração entre treinamento técnico e desenvolvimento psicológico é o segundo elemento crítico. Profissionais de segurança que recebem excelente formação técnica mas não são preparados para gerenciar o impacto psicológico de situações de alto risco, incluindo a tomada de decisão sob pressão extrema, a gestão do estresse pós-incidente e a manutenção do desempenho cognitivo em condições de privação de sono ou ameaça continuada, têm seu desempenho comprometido precisamente nos momentos em que a organização mais precisa deles. Tal como resume Ernesto Kenji Igarashi, o investimento em saúde mental e resiliência psicológica como componente do treinamento operacional não é apenas humanismo corporativo: é eficiência estratégica.

A criação de comunidades de prática dentro das organizações de segurança, que incentivem o compartilhamento de experiências operacionais, a discussão de casos reais com análise técnica e o aprendizado coletivo a partir de situações vivenciadas por membros da equipe, complementa o treinamento formal com um mecanismo de capacitação contínua que não depende de orçamento adicional nem de instrutores externos. As organizações que criam esses ambientes de aprendizado informal investem num ativo que se valoriza com o tempo: uma cultura de melhoria contínua que permeia cada nível da estrutura operacional.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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