Sensibilidade sensorial é uma característica comum em pessoas neurodivergentes e influencia profundamente a forma como o corpo e a mente reagem ao ambiente. Logo no início dessa análise, é importante destacar que, conforme aponta Alexandre Costa Pedrosa, essa sensibilidade não representa fragilidade, mas um modo diferente de processamento neurológico. Em muitos casos, estímulos considerados neutros para a maioria podem gerar desconforto intenso, fadiga ou sobrecarga emocional.
Ao longo da vida, essa condição pode afetar relações sociais, desempenho profissional e bem-estar geral. Por isso, compreender a sensibilidade sensorial é um passo essencial para criar estratégias de adaptação mais saudáveis e funcionais.
O que caracteriza a sensibilidade sensorial
A sensibilidade sensorial está relacionada à forma como o sistema nervoso recebe, filtra e responde a estímulos externos. Na avaliação de especialistas em neurociência, esse processamento pode ocorrer de maneira amplificada ou reduzida. Em pessoas com TEA, TDAH ou TOD, é comum observar respostas intensas a sons, luzes, cheiros, texturas ou movimentos.
Sob a ótica de Alexandre Costa Pedrosa, o cérebro neurodivergente tende a ter menor capacidade de filtragem sensorial. Dessa maneira, múltiplos estímulos competem simultaneamente pela atenção, o que aumenta o risco de sobrecarga. Esse cenário explica por que ambientes movimentados podem se tornar rapidamente exaustivos.
Ruídos e o impacto no sistema nervoso
Os ruídos são um dos gatilhos mais frequentes da sensibilidade sensorial. Sons contínuos, imprevisíveis ou agudos podem ativar respostas de estresse mesmo sem perigo real. Como observa Alexandre Costa Pedrosa, o cérebro interpreta esses estímulos como ameaças, mantendo o corpo em estado constante de alerta.
Esse processo prolongado tende a gerar irritabilidade, dificuldade de concentração e cansaço mental. Além disso, a exposição repetida a ambientes ruidosos pode comprometer a regulação emocional. Portanto, reduzir o impacto sonoro não é luxo, mas necessidade funcional para muitos neuroatípicos.
Luzes, cores e estímulos visuais intensos
A sensibilidade sensorial também se manifesta de forma significativa no campo visual. Luzes artificiais fortes, telas excessivas e ambientes com muitas informações visuais podem causar desconforto físico e mental. Na análise de Alexandre Costa Pedrosa, esse excesso dificulta o descanso cerebral e prejudica a organização dos pensamentos.

Pessoas sensíveis à luz costumam relatar dores de cabeça, confusão mental e aumento da ansiedade. Em consequência, adaptar a iluminação e simplificar o ambiente visual favorece a sensação de segurança e previsibilidade.
Estratégias práticas para lidar com a sensibilidade sensorial
Lidar com a sensibilidade sensorial exige abordagem individualizada. Em sua experiência prática, Alexandre Costa Pedrosa ressalta que pequenas adaptações no cotidiano geram impactos significativos. O uso de fones com cancelamento de ruído, por exemplo, ajuda a reduzir estímulos auditivos em ambientes públicos.
Da mesma forma, criar espaços de descanso sensorial ao longo do dia permite que o sistema nervoso se reorganize. Pausas regulares, ambientes silenciosos e iluminação controlada contribuem para a recuperação emocional. Assim, o corpo deixa de operar em estado constante de defesa.
Outro ponto relevante envolve a antecipação de estímulos. Ao considerar o contexto, observar previamente sons, luzes e movimentação do ambiente reduz a sensação de imprevisibilidade. Com isso, o cérebro se prepara melhor para lidar com as demandas externas.
Sensibilidade sensorial e qualidade de vida
Quando não reconhecida, a sensibilidade sensorial pode ser confundida com intolerância ou falta de adaptação. Entretanto, como evidencia Alexandre Costa Pedrosa, o reconhecimento dessa característica promove autocompreensão e reduz a autocrítica excessiva.
A partir desse entendimento, torna-se possível estabelecer limites saudáveis e comunicar necessidades de forma mais clara. Esse processo fortalece relações pessoais e profissionais, além de contribuir para maior equilíbrio emocional.
Com apoio adequado e estratégias consistentes, a sensibilidade sensorial deixa de ser apenas fonte de sofrimento. Ela passa a ser compreendida como parte da identidade neurodivergente, que pode ser respeitada, acolhida e integrada ao cotidiano. Dessa forma, ruídos, luzes e estímulos deixam de dominar a experiência diária e dão espaço a uma vivência mais regulada e consciente.
Autor: Decad Latyr

