Na visão do administrador de empresas Fernando Trabach Filho, o Brasil vive um momento crucial para alinhar crescimento econômico com responsabilidade ambiental e equilíbrio das contas públicas. A relação entre economia circular, uso de combustíveis e sustentabilidade fiscal aponta para um novo modelo de desenvolvimento, em que a reutilização de recursos e a redução de desperdícios se tornam políticas estratégicas. Esse cenário exige do Estado não apenas incentivos ao reaproveitamento de matérias-primas, mas também a revisão dos subsídios e tributos que incidem sobre os diferentes tipos de combustíveis. A lógica linear de produção, consumo e descarte já se mostra insustentável, tanto do ponto de vista ambiental quanto fiscal. Assim, a adoção de princípios circulares representa uma resposta concreta aos desafios do nosso tempo.

Combustíveis e economia circular: impactos na sustentabilidade fiscal
A adoção da sustentabilidade fiscal como diretriz de governo exige a revisão das políticas de incentivos e subsídios concedidos a combustíveis fósseis, que ainda consomem grande parte dos recursos públicos no Brasil. A economia circular propõe uma transição para combustíveis renováveis, que podem ser integrados a sistemas de produção e consumo com reaproveitamento de resíduos, como o etanol de segunda geração ou o biogás proveniente de rejeitos orgânicos. Segundo Fernando Trabach Filho, esse tipo de iniciativa reduz a necessidade de incentivos onerosos e gera novas receitas tributárias, ao mesmo tempo em que estimula cadeias produtivas mais sustentáveis. Além disso, o redirecionamento de recursos para combustíveis menos poluentes tende a reduzir os custos futuros com saúde pública e mitigação de danos ambientais, fatores que também impactam diretamente o equilíbrio fiscal.
Eficiência na arrecadação e novos modelos tributários sustentáveis
Um dos pilares da sustentabilidade fiscal no contexto da economia circular é a eficiência arrecadatória aliada a mecanismos tributários que incentivem práticas ambientalmente corretas. Modelos como a tributação diferenciada por pegada de carbono, já adotados em alguns países, permitem ao Estado estimular a adoção de combustíveis limpos sem abrir mão da receita. De acordo com Fernando Trabach Filho, esse tipo de abordagem deve ser adaptado à realidade brasileira com atenção às desigualdades regionais e à estrutura produtiva nacional. Ao mesmo tempo, é preciso garantir que as renúncias fiscais destinadas à transição energética tenham contrapartidas claras e mensuráveis, como geração de empregos verdes, redução da emissão de gases e ampliação da infraestrutura circular. Um sistema tributário mais inteligente e transparente fortalece tanto a governança fiscal quanto a sustentabilidade de longo prazo.
A sinergia entre política ambiental e responsabilidade fiscal
Não há mais espaço para dissociar política ambiental de política econômica. A sinergia entre economia circular, uso racional de combustíveis e sustentabilidade fiscal precisa ser compreendida como uma estratégia integrada. Investimentos públicos devem priorizar tecnologias limpas, recuperação de materiais e projetos com alta eficiência energética. Essas ações reduzem a pressão sobre os cofres públicos ao minimizar passivos ambientais e sociais. Conforme aponta Fernando Trabach Filho, o planejamento orçamentário precisa incorporar indicadores ambientais como critérios de alocação de recursos. Esse modelo permite decisões mais assertivas e resilientes, capazes de antecipar riscos e criar um ambiente propício à inovação. A economia circular, nesse sentido, funciona como um vetor de racionalidade na gestão fiscal, otimizando o uso de recursos e incentivando o desenvolvimento de novos mercados sustentáveis.
Considerações finais
A integração entre economia circular, política de combustíveis e sustentabilidade fiscal oferece ao Brasil a chance de modernizar sua matriz produtiva e seu modelo de arrecadação. A redução do desperdício, o reaproveitamento de insumos e o estímulo a fontes limpas contribuem para um ciclo virtuoso de crescimento econômico, preservação ambiental e equilíbrio orçamentário. Para que isso se concretize, é fundamental o alinhamento entre setor público, iniciativa privada e sociedade civil, com regras claras, incentivos consistentes e visão de longo prazo. O momento exige mais que discursos: requer reformas estruturais, coragem política e compromisso com o futuro. A economia circular, aplicada de forma estratégica, pode ser a ponte entre desenvolvimento sustentável e responsabilidade fiscal.
Autor: Decad Latyr